
A 2ª edição do Fórum Estadual de Sanidade Suína ocorreu na manhã desta quarta-feira (6/5), durante a Fenasoja, em Santa Rosa. O evento reuniu especialistas, lideranças do setor e representantes do poder público para discutir a biosseguridade, um dos temas mais estratégicos da suinocultura. Cerca de 300 pessoas participaram presencialmente, além do público que acompanhou a transmissão on-line.
A programação abordou estratégias de prevenção de doenças, redução de riscos sanitários, proteção dos rebanhos e o fortalecimento da atuação conjunta entre produtores e o Serviço Veterinário Oficial. A iniciativa foi promovida pelo Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDA/Seapi) e pelo Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa).
O secretário da Agricultura, Márcio Madalena, lembrou que esta é a segunda vez que a Seapi organiza fóruns na região — a primeira ocorreu em 2024, com foco na febre aftosa. “Esta região é fundamental como polo de produção e exportação de proteína animal do Estado, e o debate sobre biosseguridade precisa ir muito além das propriedades e dos gabinetes, envolvendo toda a cadeia produtiva”, destacou.
Madalena também ressaltou que o acesso e a permanência nos mercados internacionais estão diretamente ligados à qualidade técnica da produção. Nesse contexto, reforçou a relevância da atuação integrada do setor e o papel dos servidores do Estado na vigilância, no controle sanitário e na garantia da qualidade, durante a abertura do fórum.
Confiança em primeiro lugar
O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado do Rio Grande do Sul (Sips), José Roberto Fagundes Goulart, apresentou o tema “Biossegurança: Passaporte para Exportação” e destacou a importância dos protocolos sanitários para o acesso aos mercados internacionais. Segundo ele, o Brasil vive um momento estratégico como fornecedor de proteína animal. “No mercado internacional, a primeira exigência não é preço, é confiança — e isso se constrói com transparência e atuação técnica, como vimos no caso da gripe aviária no ano passado”, exemplificou.
Goulart ainda destacou o panorama e os principais destinos das exportações brasileiras, com ênfase na China. Apesar da relevância do mercado externo, lembrou que 73% da carne suína produzida no país é consumida no mercado interno. “A biosseguridade é o passaporte para a exportação”, concluiu.
Manter a biosseguridade
Na sequência, o consultor Werner Meinke apresentou a palestra “Biosseguridade na suinocultura: uma responsabilidade permanente”, reforçando o papel contínuo das boas práticas dentro das propriedades. “Nosso maior desafio é prevenir para manter a biosseguridade e a liderança. Por isso, ela precisa ser trabalhada de forma permanente. Neste mercado, não permanece quem cresce mais, mas quem se mantém mais seguro”, afirmou.
Antes do encerramento, a atividade ainda teve um painel com representantes da indústria e do setor produtivo, além da participação do público com perguntas. As indústrias foram representadas por Fabrício Ruschel (Alibem Alimentos S/A), Valdecir Folador, presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (ACSURS), e Wagner Rugeri (Seara Alimentos).
O debate foi conduzido pelo diretor do DDA/Seapi, Fernando Groff. A expectativa é que o encontro contribua para ampliar o alinhamento entre os diferentes elos da cadeia produtiva, consolidando práticas que garantam segurança sanitária, sustentabilidade e acesso a mercados cada vez mais exigentes.