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Agricultores e agroindústrias de São Paulo das Missões se destacam com produção de milho verde e olerícolas

As comunidades das Linhas Mila Centro e Mila Sul, no interior do município de São Paulo das Missões, consolidaram-se como referência regional na produção de milho verde, frutas e olerícolas, resultado de um conjunto de fatores naturais, da formalização da atividade e da tradição de famílias locais. Atualmente, cinco agroindústrias familiares, inclusas no Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf), da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), estão situadas nestas localidades e atuam diretamente nessa cadeia produtiva, abastecendo importantes centros consumidores da região e agregando valor à matéria-prima produzida localmente.

Alguns fatores, como o microclima local, permitem o plantio do milho na saída do inverno. Segundo o extensionista da Emater/RS-Ascar, Júnior Kessler, a combinação entre relevo com declividade moderadamente acentuada, preservação da mata nativa nos topos das lavouras e a proteção natural contra os ventos frios do Sul dificulta a formação de geadas. Essas condições permitem que os produtores iniciem o plantio já no mês de julho, antecipando a colheita e o comércio de produtos como milho verde, melão, tomate, pepino, abobrinha e mandioca, quando outras regiões ainda não dispõem dessa oferta.

Esta área do município já possui tradição consolidada na produção de alimentos, incluindo o milho verde, com famílias que atuam nessa prática há mais de 35 anos. A atividade teve início de forma informal, quando um morador da comunidade passou a aproveitar viagens de caminhão que realizava até o município de Itaqui, para buscar areia. Como o caminhão ia vazio, na viagem de ida, passou a aproveitar a oportunidade para comercializar o excedente de produção própria e de vizinhos, atendendo à demanda por alimentos frescos naquela região. Com o sucesso da iniciativa, a produção se expandiu as duas comunidades, juntamente com localidades próximas, tornaram-se referência no fornecimento de hortifrutigranjeiros.

Com o crescimento da oferta, o aumento da competitividade e a necessidade de atender às exigências sanitárias e comerciais, surgiu a demanda pela formalização da produção. Nesse processo, a Emater/RS-Ascar apoiou a estruturação e a legalização das agroindústrias familiares, com o cadastramento e inclusão no Peaf, o que permitiu o acesso e ampliação de mercados.

A primeira iniciativa foi uma agroindústria de compotas, voltada principalmente à conserva de pepinos, instalada em uma escola desativada cedida pela prefeitura à Associação de Produtores AFamília. Com o tempo, a associação foi descontinuada, dando lugar às cinco agroindústrias atualmente em funcionamento. Já estão inclusas no Peaf RS as Agroindústrias Caminhos Alternativos, da família de Marino W. Donel; Donel, da família de Paulo W. Donel; Agroindústria do Nelsinho, de Nelson Gritzenco e família; e a Agroindústria Amélia Hortifruti, de Amélia Lunardi e família.

A Agroindústria WGD de Cristiano S. Wammes e família está cadastrada, sendo já encaminhada a solicitação de inclusão no Programa. Quatro dessas agroindústrias já passaram pelo processo de sucessão familiar, estando na segunda geração de agricultores. A produção é comercializada localmente, em municípios vizinhos e também em municípios como Cerro Largo, Santa Rosa, Santo Ângelo, São Luiz Gonzaga e Santiago.

Além de garantir renda mensal às famílias envolvidas, a iniciativa gera empregos diretos, por meio da contratação de diaristas, e indiretos, através de parcerias com outros produtores que auxiliam na produção de matéria-prima.