
A adoção de sistemas de secagem e armazenagem de grãos nas propriedades rurais tem se mostrado uma estratégia eficiente para agregação de valor à produção agrícola. Com essa compreensão, o Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Nova Candelária vem apoiando agricultores na elaboração e implantação de projetos de silos secadores, especialmente voltados à cultura do milho.
No município, já foram construídos 15 silos secadores com projetos elaborados pela Instituição, totalizando capacidade de secagem e armazenagem de 13.400 sacas. Entre as famílias que investiram nessa alternativa está a de Ademir Antônio Schlindwein e Neusa Maria Gonsalves Schlindwein.
Na propriedade, foram implantados dois silos secadores com capacidade estática de 1.800 sacas de milho. A família cultiva 29 hectares de milho na primeira safra e outros 24 hectares na safrinha. Todo o processo, da colheita à classificação, secagem e armazenagem, é realizado na própria propriedade, aumentando a autonomia da família.
O produto final é comercializado tanto para agricultores quanto para comerciantes, possibilitando a agregação de valor às sacas de milho, vendidas em grão inteiro ou moído. Para otimizar o manejo, a família implantou um sistema com roscas transportadoras, que integra etapas como descarga, limpeza, enchimento dos silos, transporte para veículos e também para o triturador, além do armazenamento do milho moído em bags. A tecnologia reduz a necessidade de mão de obra, agiliza os processos e contribui para a manutenção da qualidade do produto.
A expectativa da família é comercializar mais de 4 mil sacas de milho neste ano. O escalonamento do plantio permite o processamento e a comercialização contínua ao longo do período. Diante dos resultados positivos, já há planejamento para a construção de um novo silo com capacidade de mil sacas.
De acordo com o extensionista da Emater/RS-Ascar, Elir Paulo Pasquetti, entre as principais vantagens dos silos secadores estão a redução dos custos com transporte, a diminuição das despesas com classificação e secagem, o aproveitamento de resíduos (como grãos quebrados) e a preservação da qualidade dos grãos, já que a secagem ocorre com ar em temperatura ambiente, sem uso de calor.
Além disso, o aumento da produção animal nas propriedades eleva a demanda por armazenagem de alimentos. Nesse contexto, manter os grãos na propriedade reduz custos de produção e contribui para o aumento da margem de lucro.
A prática também está relacionada à segurança e soberania alimentar das famílias produtoras, que historicamente armazenam alimentos tanto para consumo próprio quanto para alimentação animal. Entre os produtos armazenados estão grãos como milho, soja e trigo, além de silagem, feno e outros insumos.
Outro ponto destacado é a manutenção da qualidade do produto. De acordo com análises realizadas pela Unidade de Classificação e Certificação da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), o sistema de secagem e armazenagem adotado nas propriedades contribui significativamente para a conservação das características dos grãos.